sábado, 22 de outubro de 2011

Porrada: armado é o concreto; a imprensa e o torcedor, talvez


“A ideia de que as notícias de jornal “retratam a realidade” não faz sentido. Não que os jornais mintam, distorçam, manipulem. Não é isso. Admitamos que os grandes veículos da imprensa se esforcem na direção da objetividade e da verdade factual. Admitamos, mais ainda, que eles sejam bem sucedidos nesse esforço. Mesmo assim, a ideia de que eles “retratem a realidade” não faz sentido. Faria mais sentido dizer que eles consolidam a realidade, ou aquilo que chamamos, muito precariamente, de realidade”; (BUCCI, Eugênio).

Eles estavam sobre mim. Conheço meticulosamente o peso de cada um daqueles corpos, quase todos os dias presentes no cenário das Laranjeiras. Embora a minha estrutura seja baseada no concreto, era o coração e a percepção de alguns que parecia pedra, tornando ainda mais abstrato – e ressonante - algo que, com um mínimo de bom senso, poderia se tornar irrelevante. Até eu me estranho quando menciono a natureza dos homens desta forma. Creio que, com o tempo, eu fui me humanizando e as pessoas se “coisificando”.  

Não me apresentei. Me chamo Arquibancada do estádio Manoel Schwartz. Nas últimas muitas décadas, preferi adotar o silêncio. Porém, esta semana, em virtude do medo de algumas pessoas em passarem suas perspectivas sobre o que aconteceu na quinta e na sexta-feira, me vi na necessidade de dividir um pouco daquilo que testemunhei. Os anos praticamente imóveis me deram a oportunidade de ouvir demais, observar muito, e concluir, com uma base de aço, pensamentos que não sabia que um concreto armado poderia ter.

Não espero que tomem o meu relato como verdade. Ele é, sim, um fragmento de tudo que fora divulgado até então. Não pediram o meu depoimento, mas acho que posso contribuir nesse meio cheio de “verdades” e “teorias da conspiração”. As fontes não quiseram falar ou serem enunciadas, por isso eu falo e digo o meu nome.

No dia 20 de outubro, um grupo de tricolores folheava as páginas do jornal Lance, irritados, obviamente, com a postura do veiculo em divulgar o treino secreto comandado por Abel Braga, no dia anterior, na Escola de Educação Física do Exército. Bom, não digo se é bom ou ruim. Lá eles não têm arquibancada, mas vamos deixar esse meu lado ciumento para depois. Voltemos ao que interessa. O fato, dentro dessa versão que contarei, é que o jornalista, envolvido na polêmica, observou o que acontecia, passou próximo e chamou o torcedor/conselheiro de “maluco”, gesticulando e encarando-o com uma cara que os humanos chamam de “feia”. Para mim, são todos iguais, sinceramente: sete bilhões de japoneses.

Então, a partir da manifestação do jornalista, teve início a confusão que abarrotou os principais jornais, ofuscando, inclusive a derrota do Flamengo por 4 a 0, dentro de casa, com um gol mal anulado do adversário, um pênalti não marcado para o adversário e três mil pagantes. A questão é o que seria mais ou menos importante: a goleada sobre o time que tem uma arquibancada recalcada – e fofoqueira (todo vizinho é assim, né?) - ali na Gávea ou a espetacular descoberta que o ataque deve ser formado por Sobis e Martinuccio? Optaram pelo segundo fato em determinadas mídias. Questão de opinião, coisa natural entre a espécie humana.

No contexto da polêmica, o que é óbvio é dizer que o repórter, enquanto jornalista, não deveria bater boca com o torcedor. A partir do momento em que isso acontece, ele volta a materializar a capa humana, se igualando. Deu no que deu. Tem horas que é melhor fazer ouvido de mercador e sair ileso de algo que não teria efeito se não fosse reações não calculadas (?). Quando a noticia de um dispositivo de imprensa vira o fato jornalístico a ser debatido, devido aos olhos atentos daqueles que absorvem os acontecimentos pelos mesmos veículos, a mídia vira refém de si mesma e, mantendo a tradição, faz jogo duro para não mostrar que o golpe atingiu em cheio. Tentam legitimar um erro mostrando a produção dos mesmos erros com outros personagens. Não se espantem. Aprendi essa coisa com uma estudante de comunicação que levava umas apostilas velhas para cima de mim, em épocas de prova na sua faculdade. Ela era fanática pelo clube e estudava com um bumbum na minha cabeça. Era fofa.

Outra coisa que apregoaram foi que os atletas teriam aplaudido a atitude do conselheiro em xingar a imprensa. Na verdade, até um pônei maldito com uma mente praticamente vazia e mecânica por conta da repetição de coreografias idiotas saberia que aquilo era um aplauso ao “show” dado. Um deboche, como vocês dizem. E não foram todos. Aliás, mesmo que aplaudissem com o sentido de apoiar, me digam, qual é o problema? Na visão do torcedor, aquele conselheiro foi um super-herói por um dia. Na visão da imprensa, aquele conselheiro foi um imbecil. São versões, fatos, verdades de uma mesma cena. Não há como ignorar. Quem se alimenta dos triunfos do clube, ficou P da vida com a divulgação da matéria sobre o treino fechado. Quem se alimenta do clube, independente do resultado em campo, obviamente não tinha motivo para reclamar.

Por fim, é importante deixar claro que o Fluminense não está em briga com a imprensa. Essa briga existe, sim, por parte dos tricolores, da torcida, que enxerga perseguição em determinadas situações. Aqui, sob eles, eu vejo isso. Sempre reclamam das mídias. Pronto. Já falei demais. Agora, se possível, tentarei ficar mais uns 90 anos em silêncio. Ah, te amo, vereador Carlos Caiado! Obrigado por ser um dos responsáveis pelo meu tombamento e consequente quase imortalidade. Fui!

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domingo, 16 de outubro de 2011

A podridão escarrada num sopro


Se uma pessoa diz que você é fofoqueiro, pode-se até contestar. Se duas começam a alardear pelos cantos que nenhuma informação morre contigo, suspeite. Se três pessoas fazem isso, meu camarada, admita: você é fofoqueiro.

O que acontece no Campeonato Brasileiro é algo parecido. Mas não se trata de fofoquinha de boteco, quando Januário diz que Severino foi corneado pela esposa com o José de Aquino. Se os 20 clubes que disputam a primeira divisão reclamam da arbitragem, significa que ela é, no mínimo, horrível, podre, nojenta. Errar é humano, claro. Mas quando o indivíduo se prepara para tal função, o que se espera é que ele erre o mínimo possível.

E há determinados fatos a serem destacados. Invariavelmente, o Tricolor das Laranjeiras e seu menor rival, o Botafogo, são prejudicados. Na mesma proporção, Flamengo e Corinthians gozam das “coincidências” a seu favor e utilizam o artifício de chamar os adversários de “chorões”, para tentar diminuir ainda mais a moral dos clubes penalizados pelo apito.  

O Flu, hoje, só não perdeu a mão porque sobrou em coração. Abel fez péssimas substituições, mas isso não alivia a barra do homem de preto que tinha o controle do jogo.

Enquanto a CBF, juntamente com a comissão de arbitragem não reformular de maneira geral o sistema de teste, condicionamento e preparação de árbitros, situações como estas serão corriqueiras. Com tanto dinheiro, é incrível como a entidade “caga” para o futebol nacional. O simbolismo disto vem através dos escarros a cada sopro infeliz que os juízes dão em seus respectivos apitos. 

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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Do bumbum de Shakira ao cabeceio de Rosário

O final de semana foi excitante. Em todos os sentidos. A rodada contribuiu para aumentar a ereção das esperanças dos tricolores com relação à luta pelo título nacional. Além da vitória emocionante sobre o Santos, com um belo gol de cabeça do zagueiro Marcio Rosário, concorrentes que estavam acima na tabela de classificação não venceram os seus respectivos jogos.

De um lado, Shakira exibia uma forma exuberante, beleza animal, hipnotizando as atenções de qualquer um que tenha sangue quente nas veias. Do outro lado, o sangue dos tricolores estava fervendo, devido à emoção gerada pela forma como a equipe se comportou no Raulino de Oliveira.

Quando começou a cantar a música “País Tropical”, no Rock in Rio, com a participação da cantora baiana Ivete Sangalo, a colombiana fez um gol quase tão importante quanto o de Marcio Rosário, no sábado. A partir dos 3 minutos e 5 segundos de vídeo (ver abaixo), enquanto a rainha do axé insistia em “sou Fla, Fla”, eis que Shakira, a gatona-gostosa-danada-simpática mundial, fazia um gesto sorridente e rebatia com “eu sou Flu”, no meio da canção. Meus ouvidos são clubistas e ela não disse Flu? Pior para a audição pura dos impuros. Prefiro dormir com essa impressão mesmo que a única certeza do final de semana tenha sido a exuberante vitória dos “shakiros tricolores”, sabendo rebolar na medida certa em cima da adversidade, finalizando o show com um hit cruel e ímpar: “O cabeceio de Caveirão”.



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